Fui Bocage, o rei das broncas !

Nasci Manuel Maria de Barbosa l'Hedois du Bocage, em Setúbal no dia 15 de Setembro de 1765 e morri em Lisboa em \805. Dizem que fui um dos maiores poetas portugueses e possivelmente o maior representante do arcadismo lusitano. Herdei o Barbosa por parte do pai e o Hedois du Bocage do avô materno.

Apesar das numerosas biografias publicadas após a minha morte, boa parte da minha vida permanece um mistério. Fui um homem moderno, pois acreditei sempre mais no sexo do que no amor. Por causa das minhas broncas e da minha vida boémia estive engavetado no Limoeiro, no cárcel da Inquisição, no Real Hospício das Necessidades e até no Convento dos Beniditinos. Foi aí que Frei José Veloso me conseguiu pôr a viver de forma mais decente e recatada. Morri de aneurisma numa rua do Bairro Alto.

Também é lá do alto, que me puz a olhar para este Portugal e para o Mundo de hoje, e resolvi escrever neste blog umas novas broncas. Nos meus tempos fui perseguido pela Inquisição e pelo Pina Manique, depois veio o Salazar com os seus esbirros da Pide, agora os governos de turno tentam impedir as criticas com perseguições modernas, com as Finanças (a nova PIDE), a perseguir pelo IRS, escutas telefónicas, perseguições nas carreira e etc., etc., mas como eu já estou morto...

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Qual Xenofobia qual gaita !

Acusação de Leonel Carvalho "potencia atitudes xenófobas"

Diz o DN: «Estrangeiros. Líder do Gabinete de Segurança associa abertura de fronteiras a onda de insegurança "Os estrangeiros têm uma grande responsabilidade no aumento da criminalidade violenta em Portugal". Foi com esta ideia que o secretário-geral do Gabinete Coordenador de Segurança, o General Leonel Carvalho, gerou ontem a controvérsia junto da associações de defesa dos imigrantes, que alertaram logo para o perigos de estas afirmações originarem atitudes de xenofobia.»

Qual xenofobia qual porra!

O Canadá que tem despachado para os Açores, dezenas ou centenas de portugueses que têm cometido crimes nesse país é um país xenófobo ?

Os assaltantes do BES eram alentejanos ?

O "minino" de 20 anos que matou o ourives sem dó nem piedade, e que já tinha morto dois rapazes na sua terra, era ribatejano ?

Os "gangs" que as polícias andam a investigar e a desmantelar para os lados de Setúbal serão beirões ?

O ucraniano que foi detido pela polícia e que tinha na sua posse um arsenal de guerra e uma viatura roubada, teria nascido em Lisboa? E etc., etc..

Deve-se seguir o conselho do Sr. Embaixador do Brasil que recomenda que não se indique a nacionalidade dos bandidos...principalmente quando eles são brasileiros ?

A resposta deu-a um leitor do ABC de Espanha num comentário sobre os crimes cometidos em Espanha por alguns imigrantes:

- É necessário que as autoridades tenham mais "tomates", deixem-se de mariquices, porque os criminosos já não as respeitam ! Em Portugal o problema não está nas autoridades, mas sim nos políticos que as dirigem e nos magistrados todos "pra-frentex" que julgam os deliquentes!

Agora o "leitmotiv", Portugal e a imigração !

Sendo um país pobre a nível Europeu, um país onde milhões dos seus habitantes têm que emigrar há procura de melhores condições económicas para ganhar a sua vida, muitas vezes em condições bastante deploráveis, os nossos dirigentes têm que se deixar de fantasias poéticas, mais ou menos esquerdistas, e decidir como o Jacinto da Cidade e as Serras de Eça de Queiroz:

« Jacinto pulou bruscamente da borda do carro. — Fome? Então ele tem fome? Mas há aqui fome? Os seus olhos rebrilhavam, num espanto comovido, em que pediam, ora a mim, ora ao Silvério, a confirmação desta miséria insuspeitada. E fui eu que esclareci o meu Príncipe:

Está claro que há fome, homem! Tu imaginavas que o Paraíso se tinha perpetuado aqui nas serras, sem trabalho e sem miséria... Em toda a parte há pobres, mesmo na Austrália, nas minas de ouro. Onde há trabalho há proletariado, seja em Paris, seja no Douro...

O meu Príncipe teve um gesto, de aflita impaciência: — Eu não quero saber o que há no Douro. O que eu pergunto é se aqui, em Tormes, na minha quinta, dentro destes campos que são meus, há gente que trabalhe para mim, e que tenha fome, e criancinhas, como esta, esfomeadas? É o que eu quero saber.»

Assim os nossos dirigentes políticos, comentadores e prosadores mais ou menos fantasistas, que "escrevinham" em jornais e revistas e "palram" em rádios e televisões, procedam como o Jacinto - TRATEM PRIMEIRO DOS PROBLEMAS E DOS POBRES DA SUA TERRA - e depois com os recursos que lhes sobrem, acudam aos necessitados fora das suas portas ! Controlem a Imigração, recebam apenas quem podem receber, porque infelizmente o Paraíso também ainda não se instalou em Portugal !

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