Fui Bocage, o rei das broncas !

Nasci Manuel Maria de Barbosa l'Hedois du Bocage, em Setúbal no dia 15 de Setembro de 1765 e morri em Lisboa em \805. Dizem que fui um dos maiores poetas portugueses e possivelmente o maior representante do arcadismo lusitano. Herdei o Barbosa por parte do pai e o Hedois du Bocage do avô materno.

Apesar das numerosas biografias publicadas após a minha morte, boa parte da minha vida permanece um mistério. Fui um homem moderno, pois acreditei sempre mais no sexo do que no amor. Por causa das minhas broncas e da minha vida boémia estive engavetado no Limoeiro, no cárcel da Inquisição, no Real Hospício das Necessidades e até no Convento dos Beniditinos. Foi aí que Frei José Veloso me conseguiu pôr a viver de forma mais decente e recatada. Morri de aneurisma numa rua do Bairro Alto.

Também é lá do alto, que me puz a olhar para este Portugal e para o Mundo de hoje, e resolvi escrever neste blog umas novas broncas. Nos meus tempos fui perseguido pela Inquisição e pelo Pina Manique, depois veio o Salazar com os seus esbirros da Pide, agora os governos de turno tentam impedir as criticas com perseguições modernas, com as Finanças (a nova PIDE), a perseguir pelo IRS, escutas telefónicas, perseguições nas carreira e etc., etc., mas como eu já estou morto...

terça-feira, 6 de maio de 2008

O "Tango" e os lamentos de Mário Soares!

Dizem na América Latina, que o "Tango" são os lamentos do marido atraiçoado! Mário Soares lamenta na "sua" Europa o "Sucia...lismo" atraiçoado!

Escreve Mário Soares no DN: - « 1. A Europa Política pela qual tanto tenho lutado - principalmente quando fui presidente do Movimento Europeu Internacional - e em que acredito não avança nem recua: está parada e incerta quanto ao futuro. Sofre de paralisia irremediável - para não dizer da mediocridade - de alguns dos seus actuais dirigentes. A Europa dos Cidadãos tornou-se uma miragem.

Apesar de o Parlamento Europeu, que em princípio representa os cidadãos europeus dos diversos Estados que compõem a União, ter ganho alguma consistência e credibilidade nesta última legislatura.No entanto, todos parecem esperar por melhores tempos, que não chegam nem, aliás, se anunciam. Antes pelo contrário.

Por isso, não falam no futuro. Falam em resistir aos desastres do presente. Como fez em Aix-la-Chapelle a sr.ª Merkel quando se referiu à necessidade de "resistir às tempestades"...As diferentes crises - financeira, económica, energética, ambiental, agora, alimentar - cruzam-se e interinfluenciam-se, perante a incapacidade geral para lhes fazer frente, com propostas inovadoras.

No Ocidente e nos países emergentes, o epicentro das crises surgiu na América do Norte, estando agora, paulatinamente, a contagiar a Europa e a infiltrar-se nos outros continentes, adquirindo acentos trágicos, como a fome, em muitos países de África.Uma União Europeia activa - e com um rumo claro como agente global - faz falta ao mundo, actualmente, tanto no plano geostratégico, político e económico, como ao planeta, para defesa dos equilíbrios ecológicos essenciais, reconhecidamente ameaçados.

Mas como ser um protagonista global, se não se vê - nem se sente - qualquer dinamismo, vontade política ou a proposta de rumo certo, entre os seus dirigentes mais destacados? A França hesita, marcada pela permanente inconstância do Presidente Sarkozy.

Na verdade tão depressa faz namoro a Bush - ainda?!... -, reafirmando as suas convicções atlantistas e a sua devoção à NATO (atolada como está no Afeganistão!), como procura retornar à velha entente cordiale, apesar do incurável eurocepticismo inglês - com o Labour e Brown muito infelizes com a recente derrota ocorrida em final de ciclo - como volta a ensaiar um passo de dança, na cerimónia em Aix-la-Chapelle, de homenagem ao europeísmo da sr.ª Merkel, com a intenção de repor em marcha o indispensável "motor franco-alemão"...

É inconstância a mais, em tão pouco tempo! Para não falar do seu projecto inicial da União para o Mediterrâneo, que mete água por todos os lados, visto não agradar nada à Alemanha nem muito menos aos chefes de Estado árabes...

Por outro lado, a Itália - um país que sempre foi profundamente europeísta, e que tem razões para o ser - tornou-se, com as últimas eleições, motivo de grande preocupação. Não foi só a vitória surpreendente de Silvio Berlusconi. Foi, sobretudo, a vitória de Boni e de Fini, o separatista e o ex-fascista, incómodos aliados de Berlusconi, para além de uma vitória de um fascista puro e duro em Roma, pela primeira vez, desde o fim da guerra, de seu nome Gianni Alemanno...

Pobre Europa! Que saudades do duo Kohl/Mitterrand - tendo em Roma, como primeiro-ministro, o europeísta Betino Craxi...» Mário Soares repete estes lamentos na última revista Visão.

Comentário - Embora pareça um artigo de opinião sobre o actual rumo da Europa, facilmente se vê que não passam de lamentos "Sucia...listas", pelas vitórias de Sarkozy na França, de Merkel na Alemanha e agora de Berlusconi na Itália!

Realmente como será possível que cerca de 200 milhões de "traidores" europeus tenham abandonado as delícias do "Sucia...lismo", e escolhido outro rumo?

E isto sem falar de Putin na actual Rússia, que ninguém sabe se é da esquerda, do centro ou da direita. Sabe-se que na recente votação na Duma Estatal russa para a sua eleição , só Guennadi Ziuganov, dirigente do Partido Comunista da Rússia, se opôs à sua eleição, o que afasta portanto Putin dos adeptos da "foice e martelo".

Também se sabe, e ele não o esconde, que não é nem ateu nem agnóstico, que é cristão ortodoxo!

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